Cultura de Negócios: Ambiguidades e Contradições

Postado por admin em maio 8th, 2013

Introdução:

Nas últimas duas décadas, o termo “cultura” foi associado a tópicos oriundos do universo das organizações, da administração e dos negócios, originando conceitos importantes para o entendimento e a análise da dimensão simbólica do contexto organizacional.

Entre os mais conhecidos, encontram-se: cultura organizacional, cultura corporativa e cultura empresarial. Entretanto, existe um outro grupo de conceitos que, embora menos populares, também relacionam cultura ao universo organizacional e de negócios. Esse grupo diferencia-se do anterior pela maneira que problematiza as relações entre o universo simbólico das organizações e os ambientes sociais que lhe são externos.

De tal grupo fazem parte a cultura Davos e a cultura de negócios. Cultura Davos (termo dado a partir do World Economic Summit, que se reúne anualmente na cidade de Davos) e cultura de negócios estão relacionadas aos processos culturais globais que acompanham as transações econômicas e financeiras e o universo das organizações.

Para Berger e Huntington, os criadores do termo, cultura Davos é um dos quatro processos de globalização em curso no mundo contemporâneo. Os demais seriam: cultura acadêmica, cultura mc world e protestantismo evangélico. Esses quatro processos influenciam uns aos outros de várias maneiras e se relacionam com as culturas locais com as quais interagem.

A cultura Davos é globalizante na medida em que ocorre paralelamente aos processos econômicos globais, disseminando seus valores, suas lógicas gerencias e sua forma de “fazer negócios”.

Os participantes dos círculos de negócios internacionais e transnacionais, portanto uma elite, são um de seus principais mecanismos de disseminação.

Entretanto, a cultura Davos não se restringe aos escritórios e corporações, estendendo seus tentáculos para a vida familiar dos participantes. Alguns aderem inteiramente a seus princípios comportamentais básicos; outros precisam ser socializados; outros, ainda, procuram estabelecer complexos compromissos com as demandas da cultura Davos e seus vínculos e visões locais.

Cultura de negócios é um conceito complementar ao de cultura Davos. Seu foco não é o estilo de vida nem os compromissos práticos e simbólicos que os participantes dos círculos de negócios internacionais realizam.

O foco da cultura de negócios é representado por diferentes tipos de processos simbólicos globais postos em andamento pelos fluxos econômicos e financeiros internacionais, suas gêneses e lógicas de produção e disseminação de informação.

A cultura de negócios pode ser analisada a partir de três perspectivas distintas

A primeira busca saber como o conhecimento sobre negócios e a melhor forma de gerenciá-los são produzidos, em que consiste essa produção, quais os canais utilizados e que agentes participam de seu processo de difusão.

A segunda perspectiva consiste em mapear os diferentes processos culturais que operam na transmissão de conhecimento e informação contidos na cultura de negócios, indicando novas semantizações que ocorrem no momento de sua aplicação em unidades geográficas, políticas e administrativas específicas..

A terceira perspectiva diz respeito aos princípios lógicos e valorativos que permeiam as informações sobre negócios e  teoria sobre negócios, administraçãoe gerência.

 No presente ensaio, gostaria de deter-me nessa terceira dimensão da cultura de negócios, explorando alguns de seus princípios e indicando implicações pragmáticas para prática gerencial no Brasil.

Clique aqui e faça o download do artigo completo

Autor: Lívia Barbosa

Tags: , , , ,

Deixe uma resposta